Itaquá

Matéria publicada em 08/09/13
Mamoru Nakashima (PTN)
´Desafio é resolver as finanças de Itaquá´
Prefeito Mamoru Nakashima (PTN) afirmou que maior objetivo é otimizar a administração
Lailson Nascimento
De Itaquá
Daniel Carvalho
"Eu tenho andado pelos bairros e sei o que a população quer. Mas algumas coisas não podem ser feitas de imediato."

Com o desafio de administrar um dos municípios mais violentos e pobres do Estado de São Paulo, conforme apontam levantamentos recentes, o médico Mamoru Nakashima (PTN) foi eleito prefeito de Itaquaquecetuba em 2012 - no único pleito que disputou -, com 53,27% dos votos.

Ao longo dos primeiros meses de mandato, ele tem dado atenção especial às finanças do Executivo, com o objetivo de otimizar a administração. "Estamos reavaliando e otimizando os gastos da prefeitura. Faço muitas reuniões nos bairros e tenho ouvido que a população espera resolução dos problemas financeiros".

Ao Dat, Mamoru declarou que a prioridade de seu mandato é investir em um pólo educacional, além de resolver os problemas na área da saúde e conseguir o maior número de regularizações fundiárias. "Sabemos das dificuldades, mas temos um planejamento e vamos tentar cumprir o máximo daquilo que propomos".

Confira trechos da entrevista, que foi concedida nesta semana no gabinete do chefe do Executivo.


. Dat: Prefeito, como é administrar um município do tamanho de Itaquaquecetuba?
Mamoru Nakashima:
Administrar a cidade é fácil. Basta ter boa vontade, ser esforçado e transparente. E a equipe de administração precisa estar comprometida. Foi difícil encontrar as pessoas que realmente estão interessadas em fazer com que as coisas andem, mas agora o trabalho está fluindo. O principal objetivo da nossa administração tem sido o de otimizar os gastos, para a prefeitura funcionar como uma empresa. A diferença é que administramos pensando no bem-estar público.


. Dat: E qual a área que mais dá trabalho?
Mamoru:
A saúde. Porque demanda uma mão de obra mais qualificada. Nós já detectamos as dificuldades e estamos procurando aperfeiçoar o serviço. O que dificulta também é a estrutura física, que está sucateada. Estamos trabalhando, mas na esfera pública tudo demora um pouco mais. Estamos cientes das reclamações da população, porém as coisas levam mais tempo para acontecer.


. Dat: O que já foi feito até agora?
Mamoru:
Aos olhos do povo, nada. Mas já temos várias questões programadas. É questão de tempo para as coisas aparecerem, e isso vai ser apresentado em breve. Já tenho um planejamento, sei o que eu quero para Itaquá daqui a quatro anos, em todas as áreas. Eu tenho andado pelos bairros e sei o que a população quer. Mas algumas coisas não podem ser feitas de imediato, porque primeiro temos que resolver os problemas macros, ou seja, aquelas áreas que podem beneficiar a todos. Por exemplo, construir de 4 a 5 mil apartamentos em quatro anos, e pelo menos dez escolas por ano. Nós já temos a programação, mas precisamos aguardar.

. Dat: E o trabalho de regularização fundiária?
Mamoru:
Essa tem sido uma das áreas para a qual a gente tem dado mais atenção, e é o que o povo mais pede. Metade de Itaquá é irregular. Eu não sei o que acontecia, porque nunca se conseguiu resolver nada. Em oito meses de governo, nós conseguimos regularizar uma área e já pedimos a regularização de tantas outras. Dá trabalho, mas se a população me escolheu, é para eu fazer a minha parte. Hoje, a nossa prioridade é não deixar invadir. E isso tem surtido efeito, com o trabalho da Guarda Municipal, por exemplo. Mapeamos os focos e a própria população tem nos ajudado.

. Dat: A arrecadação é proporcional aos problemas da cidade?
Mamoru:
Se pensarmos em Orçamento puro, até daria para administrar, desde que fosse bem empregado. São R$ 500 milhões, mas metade desse dinheiro já está comprometida para pagar precatórios, dívida com o INSS. Optamos por regularizar a situação para obter a Certidão Negativa de Débito (CND), para termos condições de angariar fundos externos. Por isso, demos prioridade à regularização fiscal. Agora, acreditamos estar no caminho certo. Antes, investia-se em obras públicas de forma irregular, porque não se pagava o que se devia. A dificuldade desses oito meses é que trabalhamos em cima de documentos. Agora, sim, podemos apresentar os projetos para os investimentos virem.

. Dat: Muito se fala que Itaquá é uma ´cidade-dormitório´. É isso mesmo?
Mamoru:
Logo essa ideia vai acabar. Itaquá é privilegiada, e todo mundo quer vir pra cá. O que falta é capacitação, mão de obra qualificada. Estamos trazendo escolas técnicas para suprir isso, para manter a população na própria cidade. Dá maneira como tem sido, as pessoas não conseguem ficar aqui. Para mudar isso, estamos criando um polo educacional direcionado às pessoas que vão entrar no mercado de trabalho. Em paralelo, estamos investindo em lazer. Tem o parque ecológico, o shopping. As coisas têm acontecido, mas demoram.


. Dat: Se pudesse dar um presente à população nesse aniversário, qual seria?
Mamoru:
Em vez de dar um presente, eu gostaria de receber. Ficaria muito contente se os moradores entendessem que estamos trabalhando, e que, com o tempo, tudo vai aparecer. Montamos uma equipe muito boa, para fazer com que as coisas andem. Só precisamos de um pouco mais de tempo.